Preços de smartphones em alta e crédito caro empurram brasileiros a adiar a troca, alongam o ciclo de uso e derrubam as vendas no varejo
Reportagem do O Globo aponta retração nas vendas com consumidores esticando a vida útil dos aparelhos; consultorias veem ciclo de troca mais longo e varejo revê estratégias
O aumento do preço dos smartphones e o crédito mais caro estão levando o brasileiro a postergar a troca do celular, o que já se reflete em queda nas vendas no varejo. Em reportagem do O Globo, o movimento aparece com clareza no dia a dia de lojas e fabricantes, que veem o consumidor priorizar custo-benefício em vez de recursos de ponta.
O cenário combina aparelhos mais caros, juros elevados e um orçamento doméstico pressionado, o que alonga o ciclo de substituição. Segundo análises recorrentes de consultorias como IDC e Canalys, o Brasil acompanha a tendência global de manter o celular por mais tempo, muitas vezes por três anos ou mais.
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Setores da indústria apontam ainda a influência do câmbio e da tributação, que afetam componentes e o preço final. Associações como a Abinee têm ressaltado, em comunicados recentes, que a cadeia produtiva enfrenta custos desafiadores, apesar do Polo Industrial de Manaus amenizar parte dos impactos.
Com a demanda mais fraca, marcas intensificam ofertas de parcelamento, programas de recompra e foco em modelos intermediários. Para o consumidor, a ordem tem sido segurar o celular atual e, quando possível, recorrer a conserto ou a aparelhos seminovos.
Preço alto e crédito mais caro, o que pesa na decisão
O tíquete médio dos smartphones subiu, e o parcelamento ficou mais seletivo, o que reduz a troca por impulso. De acordo com o O Globo, essa combinação tem freado a intenção de compra e nivelado as escolhas para linhas com melhor custo-benefício.
Relatórios de mercado de empresas como IDC e Canalys apontam que, quando o custo de financiamento avança, os consumidores priorizam durabilidade, bateria e memória, deixando inovações incrementais em segundo plano. O Banco Central tem mantido a vigilância sobre a inflação e os juros, o que preserva a cautela no crédito às famílias.
Ciclo de troca mais longo e impacto nas lojas
O ciclo de troca, que já vinha se alongando desde a pandemia, ganhou tração com os preços mais altos. Consultorias de tecnologia citadas pelo O Globo e por análises setoriais indicam que muitos usuários empurram a substituição para quando há falha grave ou queda de desempenho relevante.
Para o varejo, isso significa menor giro e maior dependência de datas promocionais para destravar a compra. As lojas ampliam o mix de modelos intermediários e de entrada e reforçam o atendimento para guiar o consumidor que busca o essencial.
Nas marcas, a estratégia privilegia séries que repetem plataformas de hardware com ajustes incrementais, barateando desenvolvimento e oferta. A lógica é segurar preço e entregar atualizações de software por mais tempo, algo cada vez mais valorizado.
Dólar, impostos e produção no Brasil
Mesmo com a produção local no Polo de Manaus, parte relevante dos insumos é importada e sensível ao dólar. Segundo comunicados da Abinee e de entidades industriais, oscilações cambiais e a carga tributária sobre eletrônicos seguem entre os principais vetores de custo.
Analistas lembram que o Polo reduz impactos via incentivos e regras de conteúdo local, mas não elimina a pressão de componentes e logística internacional. Em contextos de câmbio volátil, fabricantes tendem a reprecificar com cautela e postergar lançamentos mais caros.
5G e câmeras potentes já não bastam
A chegada do 5G ampliou a oferta de modelos, mas a adoção depende de preço e cobertura. Segundo a Anatel, a expansão do 5G avança de forma gradual desde 2022, mas, para muitos consumidores, o 4G ainda atende o uso cotidiano.
Com isso, recursos como múltiplas câmeras e telas maiores deixaram de ser argumento decisivo de troca. O público compara com rigor e privilegia bateria, desempenho estável e atualizações de segurança por mais anos.
Usados e recondicionados ganham espaço
Com o novo mais caro, o mercado de seminovos e recondicionados se fortalece. Varejistas e plataformas digitais relatam aumento das ofertas com garantia, empurrando preços mais acessíveis e alongando o ciclo de uso.
Segundo levantamentos setoriais acompanhados por consultorias como IDC e Counterpoint, esse segmento cresce quando há pressão de renda e volatilidade cambial. Para o consumidor, é uma porta de entrada para modelos mais avançados, pagando menos.
O que fabricantes e varejo estão fazendo
As fabricantes ampliam programas de trade-in, estendem suporte de software e oferecem planos de proteção para reduzir o custo total de propriedade. No varejo, ganha força o combo de cashback, parcelamento sem juros quando possível e kits com acessórios.
De acordo com o O Globo e com comunicados setoriais, a prioridade é o segmento intermediário, que concentra volume e busca margens mais estáveis. A meta é convencer o consumidor com autonomia de bateria, câmera competente e boas políticas de atualização.
Dicas práticas para alongar a vida útil do celular
Manter o sistema atualizado, usar capinha e película e cuidar do ciclo de recarga ajuda a preservar desempenho e bateria. Limpar apps pouco usados e evitar armazenamento lotado também faz diferença.
Se precisar trocar, pesquise suporte de atualizações, custo de tela e bateria e valorização na recompra. E compare total a pagar, não só a parcela, para fugir de surpresas no orçamento.
Debate aberto O preço dos smartphones justifica segurar a troca ou as marcas entregam pouco por muito dinheiro? Deixe seu comentário e conte como está sua estratégia para escolher, consertar ou adiar a compra do próximo celular.
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