Ministro Luiz Marinho aposta que escala 6×1 impulsiona produtividade e reduz custos, reacendendo debate sobre jornada e negociação coletiva
Ministro diz que a escala 6×1 pode elevar a produtividade e reacende discussão sobre regras trabalhistas
Luiz Marinho afirmou que a adoção da escala 6×1 tende a aumentar a produtividade das empresas, segundo o SBT News. A fala ocorre em meio a discussões sobre jornada de trabalho, descanso semanal e negociação com sindicatos.
Em fevereiro de 2026, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu publicamente que a escala 6×1 pode contribuir para elevar a eficiência e a organização operacional das companhias. A declaração foi divulgada pelo SBT News.
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Segundo a reportagem, Marinho vê a jornada com seis dias de trabalho e um de folga como alternativa para dar previsibilidade e organizar escalas em setores com atividade contínua. O tema volta à tona em um cenário de disputa por produtividade e aumento de custos trabalhistas.
A fala do ministro reacende o debate sobre como equilibrar competitividade, descanso semanal remunerado e saúde do trabalhador. Também coloca em evidência o papel da negociação coletiva para ajustar a jornada às realidades de cada setor.
Marinho defende a escala 6×1, foco em produtividade e emprego
De acordo com o SBT News, Marinho argumentou que a escala 6×1 pode favorecer a organização de turnos e reduzir ociosidade, o que impacta margens e custos. Para o ministro, a previsibilidade de folgas e a clareza de regras ajudam empresas e empregados.
O posicionamento alinha-se à ideia de que produtividade não depende apenas de tecnologia, mas também de desenho de jornada e gestão de pessoas. A fala, porém, não elimina a necessidade de respeitar limites legais e acordos coletivos vigentes.
Sem detalhar mudanças normativas imediatas, o ministério sinaliza que qualquer ajuste deve observar a legislação e o diálogo social. A discussão ocorre em paralelo a pautas de formalização, qualificação e melhoria das condições de trabalho.
O que é a escala 6×1 e como a CLT trata o descanso
A escala 6×1 significa trabalhar seis dias seguidos e folgar um, mantendo o descanso semanal remunerado de 24 horas. Essa organização é comum em varejo, serviços e atividades com funcionamento ininterrupto.
Pela CLT, o descanso deve ocorrer preferencialmente aos domingos, mas pode ser alternado conforme convenção coletiva e a natureza do serviço. O artigo 67 da CLT estabelece o descanso mínimo semanal, base da compatibilização entre operação e saúde do trabalhador (fonte legal em Planalto).
A adoção de escalas exige controle de jornada, respeito a horas extras e intervalos, além de transparência sobre folgas. Em muitos setores, ajustes finos de escala dependem de acordo ou convenção coletiva com participação sindical.
Impactos econômicos e de saúde, o que mostram estudos
Defensores da 6×1 veem ganhos de produtividade quando a operação reduz gargalos e melhora cobertura de turnos. Escalas previsíveis podem diminuir absenteísmo e facilitar planejamento de férias e treinamentos.
Há, porém, a dimensão da saúde ocupacional. Estudos internacionais indicam que jornadas prolongadas elevam riscos. Um relatório conjunto da OMS e OIT publicado em maio de 2021 relacionou longas horas de trabalho ao aumento de doenças cardiovasculares e AVC, recomendando limites e proteção ao descanso (fonte WHO/OIT).
Na prática, o impacto de uma escala 6×1 depende da carga horária semanal, dos intervalos e da previsibilidade de folgas. Se a empresa mantiver o teto legal de horas e compensações adequadas, os efeitos podem ser distintos de regimes com excesso de horas extras.
Economistas destacam que produtividade também reflete investimento, organização do trabalho e qualificação. Sem esses pilares, mudar a escala pode ter efeito limitado, sobretudo em empresas com baixa automação e processos pouco padronizados.
Como pode funcionar na prática, negociação e fiscalização
Mudanças de escala costumam exigir diálogo com sindicatos e adequação em acordos ou convenções coletivas. O Ministério do Trabalho e Emprego e a inspeção laboral podem orientar e fiscalizar para garantir cumprimento de limites e pagamento de adicionais quando houver.
Empresas que adotarem 6×1 devem formalizar políticas de jornada, controlar ponto, assegurar intervalos e comunicar escalas com antecedência. O reforço de canais de saúde e segurança ajuda a mitigar riscos, preservando o descanso semanal remunerado e a previsibilidade para a vida do trabalhador.
Perguntas e respostas rápidas
O que muda com a escala 6×1 A rotina passa a ter seis dias de trabalho e um de folga, mantendo o descanso semanal remunerado de 24 horas. A adoção não dispensa respeito a limites de horas e acordos coletivos.
É preciso acordo com sindicato Em muitos setores, sim, especialmente quando há necessidade de flexibilizar domingos e feriados. A negociação coletiva dá segurança jurídica e ajusta a escala à realidade local.
Escala 6×1 aumenta sempre a produtividade Não necessariamente. O ganho depende de gestão, processos, treinamento e respeito a limites de jornada. Sem esses elementos, o efeito pode ser neutro ou até negativo.
Segundo o SBT News, a fala de Marinho em fevereiro de 2026 pretende colocar previsibilidade no centro da estratégia de eficiência. O debate deverá seguir no campo da negociação coletiva, com atenção às regras da CLT e às evidências de saúde ocupacional citadas por organismos internacionais.
Qual sua opinião sobre a escala 6×1 ser uma alavanca de produtividade ou um risco de desgaste para o trabalhador Se discordar do ministro ou enxergar benefícios claros, deixe seu comentário e conte como sua empresa ou seu setor lidam com a jornada e o descanso semanal.
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