Brasil corre risco de perder bilhões sem diálogo com os EUA? Ex-presidente do “Banco do BRICS” acende alerta e aponta saídas

Brasil corre risco de perder bilhões sem diálogo com os EUA Ex-presidente do “Banco do BRICS” acende alerta e aponta saídas
O debate sobre Brasil, BRICS e Estados Unidos deixou de ser abstrato e virou pauta urgente de política econômica.
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Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB/“Banco do BRICS”), afirma que o Brasil precisa reabrir canais pragmáticos com os Estados Unidos, maior mercado consumidor do mundo, para não perder investimentos e acesso a exportações em meio ao tarifaço de 50% imposto por Washington.

O debate sobre Brasil, BRICS e Estados Unidos deixou de ser abstrato e virou pauta urgente de política econômica. Após a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros pelos EUA, o risco de perda de investimentos e de competitividade nas exportações cresceu. Segundo o ex-presidente do “Banco do BRICS” Marcos Troyjo — que comandou o NDB entre 2020 e 2023 —, o país precisa recompor pontes com Washington sem abandonar sua agenda com o Sul Global. Sem diálogo com os EUA, o Brasil pode “queimar” oportunidades bilionárias e encurtar rotas de expansão de empresas nacionais.

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A avaliação de Troyjo aparece em entrevistas e palestras recentes, nas quais ele ressalta que os Estados Unidos seguem como “centro gravitacional” da economia global e que o Brasil deve combinar diversificação com realismo geoeconômico. A mensagem ecoa entre economistas que veem na diplomacia econômica um ativo de competitividade tão importante quanto taxa de câmbio ou juros.

Ao mesmo tempo, o governo brasileiro sinaliza reação jurídica e diplomática ao tarifaço. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse em 27 de agosto que o Brasil pode contestar as tarifas na Justiça dos EUA, enquanto tenta manter canais de negociação.

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Diálogo Brasil–EUA e investimentos estrangeiros: por que o “mercado consumidor” importa

Para Troyjo, ignorar os EUA em um momento de reconfiguração do comércio global significa abrir espaço para que concorrentes ocupem nichos estratégicos. Os EUA concentram uma fatia desproporcional do consumo mundial e, mesmo com o protecionismo em alta, seguem atratores de capital e tecnologia. Estudos de consultorias e veículos de análise mostram que a demanda do consumidor norte-americano ainda é um dos motores do crescimento global em 2025.

Esse poder de consumo vem sendo usado por Washington como instrumento de pressão comercial. Analistas lembram que “armar” a vantagem de mercado pode gerar efeitos colaterais dentro da própria economia dos EUA, mas, no curto prazo, obriga parceiros a recalibrar estratégias para preservar acesso e previsibilidade. Para o Brasil, isso implica negociar exceções setoriais, cronogramas de desoneração e segurança jurídica para novos projetos.

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Há também um recado aos investidores: com a economia americana ainda robusta no varejo e serviços, multinacionais miram cadeias integradas aos EUA. Se o Brasil se afastar do diálogo técnico, projetos podem migrar para vizinhos com acordos mais previsíveis, inclusive México e Canadá.

Não fique de fora:

Tarifa de 50% dos EUA: impacto nas exportações brasileiras e reação de Brasília

A escalada tarifária de Washington elevou a alíquota efetiva média a níveis não vistos desde 1933, atingindo setores brasileiros como agronegócio, máquinas e bens industriais. A estimativa de impacto nas exportações — em especial café, carnes e equipamentos — já entrou no radar da indústria. A equipe econômica avalia contestação judicial e medidas na OMC, além de negociações bilaterais para mitigar danos imediatos.

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No curto prazo, exportadores relatam incerteza de contratos e redirecionamento de cargas. Em paralelo, a China tem ampliado investimentos no Brasil, aproveitando o vácuo criado pelo contencioso Brasil–EUA, sobretudo em infraestrutura e automotivo. Esse movimento reforça a competição por influência econômica no país.

Especialistas ponderam que retaliação generalizada seria contraproducente. A estratégia sugerida é cirúrgica: defender interesses na Justiça e em foros multilaterais, enquanto preserva canais técnicos com Washington para acordos pontuais em cadeias verdes, semicondutores e energia limpa.

BRICS, NDB e a disputa por financiamento: complementar, não substituto

O Brasil preside o BRICS em 2025 e tem na ex-presidenta Dilma Rousseff, atual líder do NDB, uma aliada para destravar crédito a projetos de infraestrutura e transição energética. O bloco discute mecanismos para reduzir a vulnerabilidade cambial e ampliar garantias a emergentes, inclusive via fundos de estabilização que voltaram à mesa neste ano. É uma plataforma complementar de financiamento, não um substituto imediato do mercado de capitais americano.

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Dentro do próprio BRICS, prevalece um pragmatismo: apesar de críticas ao sistema de Bretton Woods, China e Índia defendem projetos bancáveis e governança robusta. Para o Brasil, o recado é claro: captar no NDB exige pipeline qualificado e regras previsíveis, algo que também agrada ao investidor dos EUA.

Troyjo tem insistido que diversificar sim, desalinhar não. O Brasil pode ampliar pontes com a Ásia e o Sul Global sem romper com Washington. Na prática, significa usar o BRICS como alavanca para projetos de longo prazo, enquanto se negocia acesso ao mercado americano para setores de alto valor agregado.

EUA continuam sendo destino-chave das exportações: dados que sustentam a tese

Relatórios recentes mostram que, apesar da desaceleração cíclica, o consumo nos EUA segue determinante para cadeias globais de alimentos, energia, tecnologia e serviços. O tamanho da economia americana, a profundidade de seu mercado financeiro e a propensão a consumir dão sinais de resiliência. Para o Brasil, manter acesso competitivo a esse mercado é decisivo para emprego, arrecadação e balança comercial.

Ao mesmo tempo, a guerra de tarifas embaralha previsões. A crítica de especialistas é que o protecionismo pode frear o próprio consumo nos EUA e reverberar nos exportadores brasileiros. Daí a ênfase em acordos setoriais e planejamento tributário para atravessar 2025 com o mínimo de dano.

Em entrevistas e debates, Troyjo reforça a necessidade de um posicionamento inteligente: o Brasil não precisa escolher um lado, mas deve maximizar interesses nos dois tabuleiros, usando dados e metas claras de exportação e investimento direto.

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Sobre o Autor

Geovane Souza
Geovane Souza

Geovane Souza é Jornalista e especialista em criação de conteúdo na internet, ações de SEO e marketing digital, e redator no blog O Emprego dos Sonhos.

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